Figuras de Linguagem

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Author:
salenka
ID:
131508
Filename:
Figuras de Linguagem
Updated:
2012-01-29 21:05:26
Tags:
português
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Fontes: Kury, Adriano da Gama. "Novas lições de análise sintática" - 3.ed. São Paulo: Ática, 1987. Infoescola. Disponível em: http://www.infoescola.com/linguistica/anacoluto/. Acesso em: 29JAN2012. Literatura Online. Disponível em: http://www.graudez.com.br/literatura/figling.htm. Acesso em: 29JAN2012.
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  1. Pleonasmo
    Repetição, para fim expressivo, de trmo já enunciado em determinada função sintática.

    • "Mas as coisas findas,
    • muito mais que as lindas,
    • essas ficarão" (C. Drummond)

    "Cristão ainda o sou"

    "Aos ricos, nada lhes devo"

    Aos ricos e lhes = obj. ind. de devo

    Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro - decorre da ignorância, perdendo o caráter enfático (hemorragia de sangue, descer para baixo)
  2. Anacoluto
    Quebra da estrutura sintática da oração.

    Segundo Douglas Tufano, o tipo de anacoluto mais comum é aquele em que um determinado vocábulo parece que vai ser o sujeito da oração, mas de repente a construção frasal se modifica e ele acaba sem função sintática.

    "A casa, não sendo grande, não podiam lá caber todos". (M. de Assis)

    Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura”. (M. Bandeira)

    E a menina, para não passar a noite só, era melhor que fosse dormir na casa de uns vizinhos”. (Rachel de Queiroz)
  3. Silepse
    Consiste em relacionar um termo dependente não com o seu principal expresso na frase, mas com a ideia que dele temos implicitamente.

    "Os que adoramos esse ideal, nela (= na ira divina) vamos buscar a chama incorruptível". (Rui, OM, 22)

    O verbo adoramos não concorda com o pronome demonstrativo os, nem com o seu substituto, o pronome relativo que, mas com o pronome pessoal nós.


    A análise sintática, necessariamente estrutural, deve analisar os e que, como sujeito, apresar da falta de concordância gramatical.
  4. Era uma vez
    O verso ser nem sempre é auxiliar ou de liga;áo; pode ter sentido nocional, significando existir, e nesse caso é intransitivo.

    "Deus disse: -- Sê. -- E tu foste."

    É esta mesma a sua significação nas fórmulas introdutórias das tradicionais histórias de Trancoso: "Era um rei muito poderoso", "Eram duas princesas muito lindas", cuja análise não oferece qualquer dificuldade:

    • Sujeito: um rei muito poderosos ou duas princesas muito lindas
    • Predicado: era ou eram (verbal), verbo intransitivo [= existir]

    Se, porém, ocorrer depois do verbo ser a locução temporal uma vez, a análise se torna menos fácil, em vista da invariabilidade do verbo:

    • "Era uma vez uma princesa."
    • "Era uma vez duas princesas."

    Esse fato leva os hermeneutas a dizerem impessoal a oração, e a considerarem princesa ou princesas predicativo sem sujeito.

    Não pensamos assim. A análise deve continuar a mesma que se faz sem a locução temporal. A silepse de número se pode explicar pela atração fortíssima que exerce o numeral uma da locução uma vez.

    • Assim como a concordância do verbo na expressão mais de um se faz no singular: "Mais de um desistiu".
    • Também é lícito o singular na expressão um dos que: "Um dos que fugiu".
  5. Termos substitutos ou vicários
    "E quando o vento acalma, é para saltar ao poente ou ao sul."

    É = acalma

    "Não discuto o seu direito, mas sim o meu."

    Sim = discuto
  6. Eis que
    Tomara que
    As interjeições eis e tomara, quando seguidas da conjunção integrante que, fazem o papel de uma oração principal, que tem como objeto direto a oração introduzida pelo que.

    "Tomara que chova"

    • Tomara = verbo transitivo direto
    • que chova = oração subordinada substantiva objetiva direta
  7. Haplologia
    Superposição ou redução de duas sílabas contíguas, iguais ou semelhantes, seja no mesmo vocábulo, seja entre dois vocábulos.

    "Um infeliz não se persuade [de] que a sua sorte possa ter mudança."
  8. Aliteração
    Repetição de sons consonantais.

    Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das características marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia. Ex:

    "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas." (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)
  9. Zeugma
    Omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes.

    Se for verbo, pode necessitar adaptações de número e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo, nas orações comparativas. Ex:

    • "Alguns estudam, outros não."
    • [Alguns estudam, outros não estudam.]

    • "O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano." (Chico Buarque)
    • [omissão de era]
  10. Elipse
    Omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida.

    Casos mais comuns:

    • a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: "Iremos depois."
    • "Compraríeis a casa?"

    • b) substantivo:
    • "a catedral" [no lugar de "a igreja catedral"]
    • "Maracanã" [no ligar de "estádio Maracanã]

    • c) preposição:
    • "estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas" [no lugar de: "estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas"]

    • d) conjunção:
    • "espero você me entenda" [no lugar de: "espero que você me entenda"]

    • e) verbo:
    • "queria mais ao filho que à filha" [no lugar de: "queria mais o filho que queria à filha". Em especial o verbo dizer em diálogos:
    • "E o rapaz: - Não sei de nada!" [em vez de "E o rapaz disse: - Não sei de nada!"]
  11. Assíndeto
    Ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior rapidez ao texto. Ocorre muito nas orações coordenadas.

    "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios."
  12. Polissíndeto
    Repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período.

    "O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata."

    "E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo / e sob a gosma e o vômito (...)" (Carlos Drummond de Andrade)
  13. Metonímia
    Substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles associação de significado.

    Ler Jorge Amado (autor pela obra)

    Ir ao barbeiro (o possuidor pelo possuído)

    Bebi dois copos de leite (continente pelo conteúdo)

    Ser o Cristo da turma (indivíduo pela classe - culpado)

    Completou dez primaveras (parte pelo todo - anos)

    O brasileiro é malandro (sing. pelo plural - brasileiros)

    Brilham os cristais (matéria pela obra - copos)
  14. Prosopopéia
    Também chamada personificação, animismo:

    Atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e inanimados.

    "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel ..." (Jõao Bosco / Aldir Blanc)

    Obs.: Para Rocha Lima, é uma modalidade de metáfora.

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