Sintaxe do Período Composto - CESPE

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neojr
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262395
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Sintaxe do Período Composto - CESPE
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2014-02-17 11:23:18
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Sintaxe do Período Composto
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Sintaxe do Período Composto
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  1. “Há, porém, outras mais graves, que se instalam lentamente no organismo,como o aumento da pressão arterial e a ocorrência de paradas cardíacas. Estas podem passar despercebidas, já que nem sempre apresentam uma relação tão clara e direta com o fator ambiental. De imediato, existe o alerta: onde morar em metrópoles?”



     1. A locução “já que” (ℓ.3) estabelece uma reação de comparação no período.
    1. ERRADO. A locução “já que” equivale a uma vez que, visto que, pois e porque. Dessa forma, possui valor causal e não comparativo. São exemplos de conjunções comparativas: que, do que, quanto mais, quanto menos.
  2. “Apesar de pequena, a função do INMETRO é fundamental, já que a instituição está contribuindo para a promoção da igualdade social.”



    2. A substituição de “Apesar de” (ℓ.1) por Embora prejudica a correção gramatical do período.
    2. ERRADO. Tanto a locução prepositiva “Apesar de” quanto a conjunção Embora expressam ideia de concessão, ou seja, oposição e exceção. Observe-se que a reescritura “Embora pequena, a função do INMETRO é fundamental” expressaria a mesma ideia e não apresentaria erro gramatical.Deve-se observar, porém, que nem sempre é possível substituir uma locução prepositiva por uma conjunção, mesmo que expressem a mesma ideia. Veja-se: Apesar de termos trabalhado muito, não estamos cansados. Observe-se que neste contexto não seria possível substituir “Apesar de” por Embora.
  3. “Eles, porém, recusaram tudo, com simplicidade, dizendo que a filosofia bastava ao filósofo, e que o supérfluo era um dissolvente.Tão nobre resposta encheu de admiração tanto aos sábios como aos principais e à mesma plebe.”



    3. No trecho “Tão nobre resposta encheu de admiração tanto aos sábios como aos principais e à mesma plebe” (ℓ.2-4), a substituição de “como” por quanto mantém a correção gramatical do texto.
    3. CERTO. Existem as locuções conjuntivas tanto quanto e tanto como,que expressam a mesma ideia e introduzem contextualmente o mesmo tipo de oração: oração coordenada sindética aditiva.
  4. “O resultado obtido no estudo, publicado na revista PNAS, mostra que a falta de comida, nos primeiros meses de gestação, altera o material genético dos filhos. Nenhum deles, porém, nasceu abaixo do peso ou com algum problema evidente de saúde.”




    4. No trecho “Nenhum deles, porém, nasceu abaixo do peso ou com algum problema evidente de saúde” (ℓ.3-4), a conjunção adversativa pode, sem prejuízo para o sentido original do texto, ser substituída por contudo,todavia ou no entanto.
    4. CERTO. No trecho “Nenhum deles, porém, nasceu abaixo do peso ou com algum problema evidente de saúde”, o termo destacado é, de fato,uma conjunção coordenativa adversativa, que introduz ideia de oposição. Os conectivos contudo, todavia ou no entanto também são adversativos, além de mas, entretanto e não obstante. A título de informação (a questão não exige isso), observe-se que o único conectivo que, apesar de expressar a mesma ideia, não poderia substituir “porém”, contextualmente, é mas. O conectivo “porém” está deslocado de sua posição natural(início de uma oração), fato que pode ser observado pelo uso das vírgulas;já o conectivo mas não pode ser deslocado.
  5. “Por ironia, as notícias mais frequentes produzidas pelas pesquisas científicas relatam não a descoberta de novos seres ou fronteiras marinhas, mas a alarmante escalada das agressões impingidas aos oceanos pela ação humana.”



    5. O termo “mas” (ℓ.3) corresponde a qualquer um dos seguintes: todavia,entretanto, no entanto, conquanto.
    5. ERRADO. O conectivo “mas” é, de fato, uma conjunção coordenativa adversativa, que introduz ideia de oposição. Os conectivos todavia, entretanto e no entanto também são adversativos, porém conquanto é uma conjunção subordinativa concessiva. A ideia de oposição está presente tanto nas conjunções adversativas quanto nas concessivas, entretanto uma não pode ser permutada pela outra por uma razão sintática: as adversativas introduzem orações independentes (coordenadas) e as concessivas introduzem orações dependentes (subordinadas).
  6. “O processo de acompanhamento foi estruturado em dois estágios interdependentes entre si: as ações desenvolvidas pela Agência,enquanto parte avaliada, e as ações sob responsabilidade do avaliador do processo a Comissão de Acompanhamento e Avaliação.”




    6. No trecho “enquanto parte avaliada” (ℓ.3), o emprego de “enquanto” contraria recomendações de alguns gramáticos relativas ao uso da norma padrão da língua portuguesa em contextos escritos formais.
    6. CERTO. Gramaticalmente, o conectivo enquanto deve introduzir orações com ideia de tempo, como no exemplo: Enquanto caminhávamos, conversávamos. Note-se que no contexto em que foi empregado, essa conjunção não introduz ideia de tempo. Isso é condenado pela gramática normativa. O conectivo correto a ser utilizado em tal situação seria como.
  7. “A despeito da desaceleração econômica nas nações ricas, as cotações das commodities agrícolas, minerais e energéticas persistem em ascensão. Segundo o FMI, os preços dos alimentos subiram 48% do final de 2006 ao início de 2008.”



    7. A expressão “A despeito da” (ℓ.1) pode, sem prejuízo para a correção gramatical e as informações originais do período, ser substituída por qualquer uma das seguintes: Apesar da, Embora haja, Não obstante a.
    7. CERTO. Observe-se que, no trecho “A despeito da desaceleração econômica nas nações ricas, as cotações das commodities agrícolas,minerais e energéticas persistem em ascensão”, o termo destacado é uma locução prepositiva que introduz ideia de concessão (oposição, exceção).As expressões Apesar da, Embora haja, Não obstante a poderiam perfeitamente substituir aquela expressão, uma vez que também expressam ideia concessiva. Observe-se que ao se usar Embora, foi necessária contextualmente a utilização da forma verbal haja, para que não houvesse truncamento sintático. Não se pode generalizar o uso dessas expressões.Veja-se que na questão 2, deste capítulo, pode-se permutar “apesar de” por “embora”, sem necessidade de se utilizar um verbo. Já na questão ora analisada, contextualmente a forma verbal é necessária. Como se diz,“cada caso é um caso”.
  8. “As pessoas não nascem iguais. Elas possuem habilidades e talentos próprios. O principal papel de um governo não é ir contra essa realidade e forçar algo que não existe nem existirá.”




    8. O desenvolvimento das ideias no texto permite a inserção, na linha 1,de conectivo de valor explicativo entre as orações, da seguinte forma:iguais, pois elas possuem.
    8. CERTO. A inserção do conectivo de valor explicativo “pois” não causaria prejuízo gramatical ou semântico. Note-se que no trecho “As pessoas não nascem iguais. Elas possuem habilidades e talentos próprios”, o segundo período pode perfeitamente ser uma explicação ou causa do primeiro. Logo, a inserção não causaria problema algum.
  9. “De tão habituados a viver em relação com os demais, poucas vezes percebemos ou constatamos sua importância ou sua influência em nossos comportamentos ou em nossas decisões. A vida humana é grupal.”



    9. Em “De tão habituados” (ℓ.1), a preposição “De” introduz oração de valor causal que, entre outras estruturas, corresponde a Porque estamos tão habituados ou a Por estarmos tão habituados.
    • 9. CERTO. Observe-se que a preposição “De”, em si mesma, não expressa ideia de causa. Ela introduz uma oração subordinada que indica causa.Deve-se ter cuidado para não se dar uma interpretação errada à questão.Em nenhum momento se diz que a preposição indica causa, nem que pode substituir uma conjunção causal. Outrossim, deve-se ter em mente que quando uma oração subordinada é introduzida por conjunção, será classificada como desenvolvida (ex.: Porque estamos tão habituados...). Quando não possuir conjunção ou pronome relativo, será denominada reduzida(ex.: Por estarmos tão habituados...). Observe-se, ainda, que as três orações citadas possuem equivalência semântica:
    • a) “De tão habituados a viver em relação com os demais...”;
    • b) Porque estamos tão habituados...;
    • c) Por estarmos tão habituados...
  10. “Cada vez que eu tentava reconciliar-me com ela, saía maltratado,repelido.”




    10. Em “Cada vez que eu tentava reconciliar-me com ela” (ℓ.1), a expressão“Cada vez que” pode ser substituída por À medida que, sem alteração de sentido.
    10. ERRADO. A expressão “Cada vez que” introduz orações com ideia temporal;já a expressão “à medida que” introduz ideia de proporção, e não de tempo. Gramaticalmente, seria possível substituir uma pela outra sem que se causasse erro gramatical. Entretanto, haveria alteração semântica.
  11. “Escrevi, pois, toda a minha vida poemas, narrativas, contos, tratados,ensaios.”




    11. Com o deslocamento da conjunção “pois” para o início da oração “Escrevi, pois, toda a minha vida poemas, narrativas, contos, tratados, ensaios”(ℓ.1), com os devidos ajustes de maiúsculas e minúsculas, preserva-se o sentido original do período.
    11. ERRADO. O conectivo “pois” tem, contextualmente, valor conclusivo. Observe-se que ele poderia facilmente ser substituído por portanto, sem que se ferissem as regras gramaticais e os sentidos textuais. Entretanto, o deslocamento de tal conjunção para o início do período, como proposto pela questão, alteraria as relações semânticas: o conectivo deixaria de ter valor conclusivo e passaria a ter valor explicativo, equivalendo a porque.A regra diz que se o conectivo pois estiver deslocado (intercalado ou no final do período), terá valor conclusivo; na posição normal (início de oração), terá valor explicativo.
  12. “Porém, mal experimentava a ilusão de pela poesia ter exorcizado a perseguição dos meus pavores, logo outras alucinações, outros pesadelos,outras bizarrias macabras e fúnebres assaltavam sem trégua a minha pobre alma acabrunhada.”



     12. Em “Porém, mal experimentava a ilusão (...) a minha pobre alma acabrunhada”(ℓ.1-4), o termo “mal” é empregado com sentido temporal.
    • 12. CERTO. A palavra mal pode ter as seguintes classificações:
    • a) substantivo: O mal não triunfará;
    • b) advérbio de modo: Ele não canta mal;
    • c) conjunção temporal: Mal o chefe saiu, os funcionários pararam de trabalhar.
    •  No contexto, de fato a palavra “mal” tem valor temporal. Note-se que o período poderia assim ser reescrito: “Porém, ainda não experimentava a ilusão de pela poesia ter exorcizado a perseguição...”.
  13. “A lenda urbana surge com a oportunidade do inusitado, do espetacular, do fantasioso. É o momento em que se pode romper com a realidade e crer que existe algo além do que se conhece.”




     13. Preservam-se a correção gramatical do texto e a coerência entre os argumento são se ligar o segundo período sintático do texto ao primeiro por uma conjunção, da seguinte forma: (...) do fantasioso, posto que é o momento (...).
    13. ERRADO. O conectivo posto que, segundo a gramática, possui valor concessivo e pode ser substituído por embora, que tem o mesmo valor. Modernamente, tal conectivo tem sido utilizado com valor causal (porque,já que), entretanto tal uso não encontra respaldo nos gramáticos tradicionais. Portanto, não seria possível fazer a substituição proposta pela questão. A substituição prejudicaria a coerência (lógica) entre os argumentos e a correção gramatical, uma vez que posto que exigiria verbo no subjuntivo.
  14. “Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.”



    14. O trecho “Tem paciência, se obscuros” constitui um período simples, uma oração absoluta.
    • 14. ERRADO. Observando-se o contexto, percebe-se que há um verbo subentendido: Tem paciência, se estiverem obscuros. Tenha Calma, se teprovocam. Portanto, não há período simples, e sim composto. O trecho “Tem paciência, se estiverem obscuros” será assim analisado: 1ª oração =principal;
    • 2ª oração = subordinada adverbial condicional.
  15. “O vendedor de jornais é o tipo mais despreocupado e alegre do mundo.Tem uma alma de pássaro. Claro está que não nos referimos ao carrancudo português, que, em meio de uma chusma de folhas metodicamente dispostas, passa os dias sentado, com as pernas cruzadas no ponto de reunião da Ruado Ouvidor com o Largo de S. Francisco, na Brahma, nas portas dos cafés da Avenida, em toda parte.”




    15. Os dois primeiros períodos do texto são formados, respectivamente, por uma oração absoluta e uma frase nominal, e o terceiro período é constituído por período composto por coordenação e subordinação.
    15. ERRADO. O primeiro período realmente é uma oração absoluta, ou seja,um período simples. Já o segundo período não é uma frase nominal, como afirma a questão, e sim um período simples também. Frases nominais são enunciados que não contêm verbos.
  16. “Seu físico é naturalmente perfeito para a natação. O corpo lembraa forma de um peixe. Tem articulações flexíveis e enormes mãos que parecem pás. Ter nascido no país com a melhor estrutura para detecção e lapidação de talentos esportivos também ajudou – uma vez bem-sucedido em competições escolares, Phelps seguiu naturalmente o caminho que o levou à equipe olímpica norte americana.”




    16. São exemplos de orações coordenadas adversativas as duas orações da seguinte passagem do texto: “Seu físico é naturalmente perfeito para a natação.O corpo lembra a forma de um peixe” (ℓ.1-2).
    16. ERRADO. Em primeiro lugar, porque não há duas orações no trecho citado, e sim dois períodos. Observe-se que cada uma das orações começa por letra maiúscula e termina por ponto – o que caracteriza os limites de um período. Em segundo lugar, porque não há ideia adversativa entre os períodos. Portanto, temos apenas dois períodos sintaticamente coordenados.
  17. “Todos os Estados promoverão a cooperação internacional com o objetivo de garantir que os resultados do progresso científico e tecnológico sejam usados para o fortalecimento da paz e da segurança internacionais, a liberdade e a independência, assim como para atingir o desenvolvimento econômico e social dos povos e tornar efetivos os direitos e liberdades humanas de acordo com a Carta das Nações Unidas.”




    17. Por causa das ocorrências da conjunção “e” no mesmo período sintático,o conectivo “assim como” (ℓ.4) tem a dupla função de marcar a relação de adição entre as orações e deixar clara a hierarquia das relações semânticas.
    17. CERTO. A gramática afirma que as conjunções podem ligar termos ou orações. A conjunção aditiva “e”, no período, ocorre várias vezes na ligação de termos: “progresso científico e tecnológico”, “da paz e da segurança internacionais”, “a liberdade e a independência”, “o desenvolvimento econômico e social dos povos”, “os direitos e liberdades humanas”. Se essa mesma conjunção fosse utilizada no trecho para ligar orações, tais orações não teriam destaque dentro do período, ou seja,perderiam expressividade, apesar de o uso estar correto. Logo, a conjunção“assim como” – que também é aditiva – serve ao período tanto para unir orações como para marcar a hierarquia das ideias, uma vez que a adição por ela expressa é mais importante que a adição entre os termos do período.
  18. “V – Dar liberdade ao aluno para escolher o momento para ser avaliado
    VI – Desenvolver em aula a responsabilidade coletiva pela aprendizagem e disciplina”




    18. As propostas apresentadas tanto em V quanto em VI estão formuladas como períodos compostos por subordinação.
    18. ERRADO. Apenas no trecho “Dar liberdade ao aluno para escolher o momento para ser avaliado” existe um período composto por subordinação.A oração introduzida por “Dar” é classificada como principal e aquela iniciada por “para” se classifica como oração subordinada adverbial de finalidade. No trecho “Desenvolver em aula a responsabilidade coletiva pela aprendizagem e disciplina”, tem-se apenas uma oração – período simples –, uma vez que há apenas um verbo.
  19. “Aceitar que somos indeterminados naturalmente, que seremos lapidados pela educação e pela cultura, que disso decorrem diferenças relevantes e irredutíveis aos genes é muito difícil.”




    19. As orações que precedem a forma verbal “é” (ℓ.3) constituem o sujeito que leva esse verbo para o singular.
    19. CERTO. A gramática afirma que se o sujeito de um verbo for outra oração (sujeito oracional), o verbo da oração principal deverá ficar no singular, mesmo que o sujeito oracional seja composto por várias orações. É o que acontece no período. Observe-se que o núcleo do sujeitoé a forma verbal “Aceitar”, seguida por várias orações introduzidas pelaconjunção integrante “que”. Estas orações funcionam como objeto diretooracional do verbo “Aceitar”. Veja-se que poderia ocorrer a seguinte síntese do período: Aceitar isso, isso e isso é muito difícil. O termo isso estaria substituindo as orações que complementam a forma verbal “Aceitar”,que por sua vez funciona como sujeito da forma verbal “é”.
  20. “A consequência imediata desse processo é que o produto do IGF2 pode servir de combustível para o desenvolvimento de tumores no futuro.”




    20. No período “A consequência (...) tumores no futuro” (ℓ.1-3), o trecho“que o produto do IGF2 pode servir de combustível para o desenvolvimento de tumores no futuro” exerce a função sintática de sujeito.
    20. ERRADO. Observe-se que a oração introduzida pela conjunção integrante“que” complementa a forma verbal “é”, classificada como verbo de ligação. Verbos de ligação exigem um complemento chamado predicativo do sujeito. Logo, a oração se classifica como oração subordinada substantiva predicativa. Veja-se como seria uma reescritura sintética do período: A consequência imediata desse processo é essa (ou isso). O termo sublinhado funciona como sujeito, o verbo é de ligação e o termo essa ou isso (que substituiria a oração substantiva) funciona como predicativo do sujeito.
  21. “XII – Solicitar a colaboração dos aprendizes na elaboração de questões”




    21. Transformando-se em período composto a sugestão XII – “Solicitar a colaboração dos aprendizes na elaboração de questões” –, tem-se: Solicitar aos aprendizes que colaborem na elaboração de questões.
    21. CERTO. No trecho “Solicitar a colaboração dos aprendizes na elaboração de questões”, tem-se um período simples, uma vez que há apenas um verbo. A forma verbal “Solicitar” exige um complemento direto: o termo nominal “a colaboração dos aprendizes”. A mudança sugerida pela banca transforma, de fato, o período simples em composto. O complemento de “Solicitar” passa a ser uma oração subordinada substantiva objetiva direta: que colaborem na elaboração de questões.
  22. “Era à porta de uma igreja. Eu esperava que as minhas primas Claudina e Rosa tomassem água benta, para conduzi-las à nossa casa, onde estavam hospedadas. Tinham vindo de Sapucaia, pelo Carnaval,e demoraram-se dois meses na corte. Era eu que as acompanhava a toda a parte, missas, teatros, rua do Ouvidor, porque minha mãe,com o seu reumático, mal podia mover-se dentro de casa, e elas não sabiam andar sós.”




    22. No texto, as orações “que as minhas primas Claudina e Rosa tomassem água benta” (ℓ.1-2) e “que as acompanhava a toda a parte, missas, teatros, rua do Ouvidor” (ℓ.4-5) exercem a mesma função sintática e, por isso, têm a mesma classificação.
    22. ERRADO. A oração “que as minhas primas Claudina e Rosa tomassem água benta” classifica-se, contextualmente, como oração subordinada substantiva objetiva direta, pois complementa sintática e semanticamente a forma verbal “esperava”. E o conectivo “que” é uma conjunção integrante. Entretanto, a partícula “que” presente em “Era eu que as acompanhava a toda a parte, missas, teatros...” é apenas uma partícula de realce,que normalmente vem associada ao verbo ser. Observa-se que as palavras“Era” e “que” podem ser retiradas da oração sem prejuízo gramatical ou semântico: Eu as acompanhava a toda a parte... Vejam-se outros exemplos dessa partícula de realce (ou expletiva): Nós é que não vamos falar com o chefe; É ela que vai nos dar a notícia. A partícula de realce não introduz nenhum tipo de oração. Logo, as orações destacadas no enunciado da questão não exercem a mesma função.
  23. “IX – Fazer contrato de trabalho com os alunos
    X – Garantir clima de respeito em sala de aula”



    23. Juntando-se as sugestões IX e X em uma única oração, estará sintaticamente correta e preservará o sentido original do texto a seguinte sugestão: Fazer contrato com os alunos com cujo clima de respeito em sala de aula estará garantido o trabalho.
    23. ERRADO. Em primeiro lugar, porque não preservaria o sentido original.Nota-se que são duas sugestões. O conectivo cujo introduz orações subordinadas adjetivas e expressa ideia de posse. Porém, não faz o menor sentido unir as duas orações com essa ideia. Em segundo lugar, o pronome relativo “cujo” foi empregado de maneira incorreta. Ele deve estabelecer nexo entre dois substantivos. Na questão, estaria ligando “alunos” e “clima de respeito”, mas isso não tem lógica (é incoerente) contextualmente, pois não há relação de posse entre tais expressões. Subentende-se que“clima de respeito” foi empregado de forma genérica, indefinida, e não no sentido de que “o clima de respeito” fosse “dos alunos”. Além disso,a preposição “com” não é exigida por nenhum termo, contextualmente.
  24. “No fim, tinha um pequeno armarinho – sempre tivera lojas que fossem frequentadas principalmente por mulheres – na rua Senhor dos Passos.”




    24. Nas linhas 1 e 2, a oração adjetiva “que fossem frequentadas principalmente por mulheres” apresenta valor explicativo.
    24. ERRADO. Sabe-se que os pronomes relativos introduzem orações subordinadas adjetivas. Tais orações podem, semanticamente, expressar ideia de restrição ou explicação. Sendo explicativa, a oração deve vir separada por vírgula ou travessão. Note-se que não há nenhum desses sinais de pontuação no início da oração adjetiva “que fossem frequentadas principalmente por mulheres”. Logo, a oração não tem valor explicativo,e sim restritivo.
  25. “Os poluentes emitidos pelo motor de automóveis, ônibus e caminhões geralmente se espalham por um raio de até 150 metros a partir do ponto em que são lançados e transformam as grandes avenidas em imensas chaminés que despejam sobre a cidade toneladas de partículas e gases tóxicos.”



    25. A oração “que despejam sobre a cidade toneladas de partículas e gases tóxicos” (ℓ.4-5) restringe o sentido da palavra “chaminés” (ℓ.4).
    25. CERTO. Pronomes relativos introduzem orações subordinadas adjetivas.Tais orações podem, semanticamente, expressar ideia de restrição ou explicação. Sendo explicativa, a oração deve vir separada por vírgula ou travessão. Caso contrário, a oração será restritiva. É o que ocorre noperíodo. A oração “que despejam sobre a cidade toneladas de partículas e gases tóxicos” de fato restringe o sentido do substantivo “chaminés”. Classifica-se, portanto, como oração subordinada adjetiva restritiva.
  26. “O caso de Chico Mendes foi relatado pela conselheira Sueli Bellato. Emocionada, ela disse ter lido muito sobre o seringueiro morto para,então, encadear os argumentos que a fizeram acatar o pedido de reconhecimento e indenização interposto por Izalmar Mendes. Chico Mendes foi vereador em Xapuri, onde nasceu, e se firmou como crítico de projetos governamentais de graves consequências ambientais,como a construção de estradas na região amazônica.”



    26. O termo “onde” (ℓ.5) introduz oração adjetiva de sentido explicativo.
    26. CERTO. O vocábulo “onde” é, contextualmente, um pronome relativo (palavra que substitui um termo substantivo da oração anterior, exerce a função que tal termo exerceria, além de introduzir uma oração subordinada adjetiva). Como tal pronome no contexto é antecedido por umavírgula, possui caráter explicativo. A oração que ele introduz se classifica, consequentemente, como oração subordinada adjetiva explicativa. Elaexplica o termo “Xapuri”. Observe-se que dificilmente um substantivo próprio aceitará que um termo lhe restrinja o sentido, uma vez que a restrição é inerente a ele. Ou seja, o substantivo próprio já possui um caráter particularizante, que o diferencia dos substantivos comuns. Portanto, majoritariamente, as orações adjetivas que se refiram a substantivos próprios terão caráter explicativo, esclarecedor.
  27. “Minha mãe costumava aparecer na loja, para ver se alguma sirigaita andava por lá.”




    27. No trecho “Minha mãe costumava aparecer na loja, para ver se alguma sirigaita andava por lá” (ℓ.1), a oração iniciada pela preposição “para”expressa finalidade.
    27. CERTO. A oração “para ver se alguma sirigaita andava por lá” classifica-se contextualmente como oração subordinada adverbial final. Portanto, expressa ideia de finalidade. Deve-se ressaltar que “para” não é uma conjunção. As orações geralmente são introduzidas por conjunção, e não preposição. Quando isso ocorre, a oração subordinada recebe, além da classificação habitual, a denominação de reduzida de infinitivo, de gerúndio ou de particípio. No caso, a oração em destaque receberá o nome de oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo.
  28. “O INMETRO tem realizado estudos aprofundados que visam diagnosticar a realidade do país e encontrar melhores soluções técnicas para que o Programa de Acessibilidade para Transportes Coletivos e de Passageiros seja eficaz.”



     
    28. O termo “para que” (ℓ.3) estabelece uma relação de finalidade entre orações do período.
    28. CERTO. Compare-se esta questão com a anterior. Veja-se que a ideia de finalidade está presente nos dois períodos. Na questão anterior, a oração é introduzida apenas por “para” (preposição); já nesta questão, a oração“para que o Programa de Acessibilidade para Transportes Coletivos e de Passageiros seja eficaz” é introduzido pela locução conjuntiva “para que”, que introduz ideia de finalidade. Locuções são conjuntos de palavras (geralmente introduzidas por preposição) que têm valor de uma só. Locuções conjuntivas, portanto, têm valor de uma só conjunção. Observe-se que em“para que” o segundo elemento é uma conjunção. As orações subordinadas que são introduzidas por conjunção ou locução conjuntiva recebem a denominação de desenvolvidas.
  29. “... Mesmo que não possamos olhar de um curso único para a história,os projetos humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a construção de futuros possíveis.”





    29. Preservam-se as relações entre os argumentos do texto caso se empregue em lugar de “que não possamos” (ℓ.1), uma oração correspondente como gerúndio: não podendo.
    29. ERRADO. Sintaticamente, a substituição de “que não possamos” por não podendo seria possível: ocorreria a transformação de uma oração desenvolvida numa reduzida. Entretanto, a relação entre os argumentos do trecho sofreria um prejuízo semântico: a ambiguidade e a incoerência.Veja-se que no trecho ‘“... Mesmo que não possamos olhar de um curso único para a história, os projetos humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a construção de futuros possíveis”, o sujeito da locução verbal destacada está implícito: nós. Entretanto, se tal oração fosse modificada para Mesmo não podendo, a forma verbal passaria a ter como sujeito a expressão “os projetos humanos”. A ideia resultante seria a seguinte: “Mesmo não podendo olhar de um curso único para a história, os projetos humanos têm um assentamento inicial...”.Isso seria incoerente no contexto.
  30. “Todo indivíduo tem direito à proteção de sua liberdade, de sua integridade física e de outros bens que são necessários para que uma pessoa não seja rebaixada de sua natureza humana.”





    30. Mantém-se o texto coerente e gramaticalmente correto ao se substituir“que uma pessoa não seja” (ℓ.2-3) por uma pessoa não ser.
    30. CERTO. A substituição não traria prejuízo gramatical nem semântico. Haveria apenas a substituição de uma oração subordinada desenvolvida por uma reduzida de infinitivo. Observe-se que “para que uma pessoa não seja” classifica-se como oração subordinada adverbial final desenvolvida (este último termo é dispensável). Já a oração para uma pessoa não ser classificar-se-ia como oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo. Mas o sentido e a função sintática seriam os mesmos.

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